Neneo, o menino que acolhe cães e gatos em Praia Grande

“Haveria um pouco mais de paz, se esse M de mundo fosse A de amigo, amigo como as crianças e os animais”. O trecho da canção do grupo infantil Abelhudos, que fez muito sucesso nos anos 80, pode ser o fio condutor da história de Celino, o menino de oito anos, mais conhecido como Neneo, que faz da sua casa abrigo para cães e gatos abandonados na periferia de Praia Grande. O laço de amor do garoto com os bichos emociona.

“Desde pequeno o Neneo sempre mostrou amor pelos animais. Ele trazia da rua para a casa, mas o pai não deixava ficar. Meu esposo morreu em dezembro e deixou essa casa para ele (Neneo), então achei justo que pudesse ficar com os cachorros e gatos. Mas agora são muitos, 11 filhotes, três cães adultos e três gatos”, explica Cacilda Anunciação, de 53 anos.

O pai do menino faleceu em dezembro do ano passado aos 70 anos. Desde então, o garoto começou a levar para casa os cães e gatos que resgata nas ruas do bairro onde mora. “O pessoal também tem deixado na nossa porta. Falo para ele que são muitos, porque tem a questão da ração também, mas ele não quer saber. Temos recebido ajuda e a intenção é doar os bichinhos, ele não gosta muito da ideia não, mas tem que doar. Ele é hiperativo”, disse Cacilda.  

Neneo mora com a mãe em uma casa na Curva do S. A vida dos dois não é fácil. O sustento da família vem do trabalho de Cacilda, que mantém uma barraca próxima ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Praia Grande, onde comercializa peças de roupas, cigarros e alimentos para os visitantes que ficam na fila, a maioria mulheres. “Deus que me colocou ali. É um trabalho digno. Meu marido era contra, não gostava muito, mas a família não tem culpa dos que as pessoas fazem de errado. A minha pensão ainda não saiu e é de lá que tiro meu sustento”, conta.

Neneo e mãe Cacilda

A mãe conta que Neneo tem muito amor pelos animais e que tem sido abençoada com a ajuda das pessoas. “Eles são muito amados. Meu filho cuida deles com muito carinho. Trata, dá banho e comida. A gente não tem muita coisa, então recebemos ajuda de ração. Queria muito conseguir castrar para doar”.

Neneo está no terceiro ano do ensino fundamental. É um garoto hiperativo, que, como os demais da idade dele e desta geração, além de brincar, gosta de jogar no celular. Mas, a sua paixão, é de fato os animais. “Eu gosto muito deles. Fico bravo quando abandonam. Se colocam na porta eu pego. Mas eu não gosto quando tiram os cachorros de mim. Eu sou feliz assim”.

Ajuda

A história de Neneo e seus animais foi divulgada em um grupo de uma rede social e sensibilizou a promotora de vendas Ariani dos Santos, que também mora em Praia Grande. Ela entrou em contato com a pessoa que fez a postagem, confirmou as informações e conversou com a mãe de Neneo. Tomou a iniciativa de publicar em seu perfil o que viu e ouviu. O relato gerou muitos compartilhamentos e também solidariedade.

“Fiquei muito emocionada e impressionada com o amor dele pelos animais. O Neneo é muito carinhoso. Eles são muito humildes e ajudam tanta gente. Dividem o pouco que têm com os cachorros e gatos abandonados. Agradeço aos amigos que ajudaram”, disse Ariani.

A postagem de Ariani rendeu a doação de 30 quilos de ração, uma casinha de cachorro, algumas caminhas, roupas e brinquedos para Neneo. A família também ganhou duas cestas básicas.

“Apesar de ele não querer que os animais vão embora, era bom se conseguissem castrar e doar. As doações de ração também são importantes”, ressalta Ariani.

Quem quiser ajudar Neneo pode entrar em contato com a Ariani pelo telefone (13) 99641-3235

Doações que Neneo recebeu
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Dai-me (nos) força, dai-me (nos) amor

Dia 1

Olhei para a imagem que estava ao lado e as lágrimas saíram instantaneamente, compulsivamente. Parecia uma das crises de ansiedade que me pegou há uns dois anos. Passava do centésimo hino do Mestre, quando veio a força – e que força! O canto e a alegria dos irmãos e irmãs davam ritmo às imagens que surgiam ao fechar os olhos. Cenas nítidas da minha vida, da infância e de pessoas muito próximas. Chorar me fazia bem, era como se expulsasse algo entalado na garganta e preso na alma. As lágrimas limpavam tudo o que havia pela frente. Uma faxina espiritual. Entendi o que me perturba, conheci o meu interior, senti o amor daquele lugar que me acolhera como irmã. Voltei aos hinos e à dança. Amanhecia o dia e há horas estávamos bailando. O cheiro da mata perfumou o ambiente. O verde das árvores encheu os olhos. O branco das vestes estava mais claro e iluminado. A certeza: é um lugar de cura. Jesus e Maria estavam ali. Os seres da floresta e os espíritos de luz também. Pai Nosso, Ave Maria, Credo, Salve Rainha. Abraços finalizam a cerimônia. O corpo está suado, mas não há cansaço. Há um sentimento bom, de paz e gratidão.

Dia 2

A noite está mais quente e o clarão que ilumina o céu lá no morro anuncia a proximidade da chuva. A lua cheia aparece entre as folhas das árvores. É dia de celebrar a passagem do padrinho que nos deixou sabedoria e importantes mensagens em forma de cânticos. Serão várias horas bailando e cantando depois da santa missa. Voltei porque me senti bem – e acolhida – como nunca havia me sentido em outro espaço religioso. A fraternidade dos irmãos e irmãs chama atenção. Em um mundo cada vez mais singular estar em meio ao plural, à coletividade, é dádiva. Vêm as orações e o vento aumenta. A chuva que se anunciava no céu tem início e ameniza o calor. Tomo a primeira dose da bebida sagrada. É amarga no sabor e doce no significado. Passar a noite dançando e cantando músicas que falam do Pai e das forças que regem este mundo e o plano superior é divino. Balada espiritual. Desta vez a força vem em forma de riso, de alegria. É quase impossível descrever o sentimento que me invadiu. Quem diz que é alucinação não sabe o que está falando. Há consciência, há entendimento interior. Sinto o paraíso naquele lugar, um paraíso de humanos, muitos deles de espírito evoluído. Eles brilham como vagalumes na mata. Estão protegidos e são instrumentos para a cura. Orientada tiro a sandália e coloco os pés nos chão. Sinto a terra molhada. Que felicidade, meu Pai! Que energia boa! Voltamos aos hinos. Mais uma dose de amor para consagrar o dia que já raia no horizonte. As vozes estão mais fortes, a alegria contagiante, as pernas e pés em iguais movimentos e ritmos. Celebremos! Mais um trabalho concluído, o segundo que participo. Quero voltar àquela igreja de alto astral. O sol surge forte com seu calor e nos convida à cachoeira, a um banho de água fresca, a uma homenagem a Mãe Natureza e sua rica beleza que nos deu força. Dai-me (nos) fé. Dai-me (nos) amor.

A nstureza

O menino do México na Federal de Cubatão

“Acho que vou chorar”. A dona de casa Hilda Maria de Jesus, 46 anos, dá o tom da entrevista. Avisa que a emoção poderá embargar sua voz ao longo dos próximos 30 minutos, tempo de duração da conversa. O personagem central da reportagem é seu filho, Eriel de Jesus Souza, de 15 anos. O jovem, ainda surpreso, comemora o ingresso no Instituto Federal de São Paulo (IFSP), em Cubatão. O estudante é morador da México 70, uma das maiores favelas de São Vicente. Passar na concorrida seletiva, para ele e sua mãe, é mais que um prêmio, é a oportunidade de trilhar, por meio do conhecimento, um novo caminho para sua vida.

“O Eriel sempre se destacou na escola. Desde a creche, os professores falavam para que eu tentasse colocar ele em uma escola particular, mas nunca tive condições. A nossa história é de muita luta. Estou muito feliz porque ele não vai precisar passar pelo que passei”, desabafa Hilda, que mora com Eriel e a filha de oito anos em uma casa no México 70, Vila Margarida.

Hilda foi deixada pela mãe, na Bahia, aos cinco anos. Cresceu entre as casas de parentes. Começou a trabalhar muito cedo, não tendo tempo para os estudos, que conseguiu concluir com muito esforço já adulta. Com pouco mais de 20 anos, ela conseguiu saber o paradeiro da genitora, que morava em São Vicente, e decidiu encontrá-la. “Sai apenas com a roupa do corpo e a passagem. Vim com aquele sonho do nordestino de que São Paulo era grande e bonita. Quando a encontrei no México 70 não acreditei que ali era São Paulo, ruas de terra e valas abertas. Muita pobreza. Ela morava em um barraco”, lembra.

A mãe de Hilda a reconheceu imediatamente. “Era muito pequeno o lugar. Não tinha espaço para eu ficar. Fui então morar em uma casa para moças em Santos. Trabalhava de dia em casa de família e dormia lá a noite. Juntei dinheiro e consegui reformar a casa dela. Fiz de alvenaria, era o sonho da minha mãe. Conheci o pai do Eriel. Fomos morar juntos num barraco que construi no terreno atrás da minha mãe. Depois de um bom tempo fiquei grávida”, conta. O casal se separou quando o menino tinha dois anos.

Hilda concluiu o ensino médio e fez alguns cursos, o que lhe rendeu um emprego como auxiliar administrativo em uma empresa de Praia Grande. Deixava Eriel na creche para trabalhar. “Lembro que eu chorava muito, mas precisava trabalhar. As ‘tias’ davam muita força. Cuidavam dele. Depois ele foi para o Ercília (escola de ensino fundamental do bairro). Ele sempre muito avançado. Sempre desejei que meu filho fosse melhor que eu. Sempre soube que o ensino era tudo. É a maior riqueza que podemos ter”, disse.

A dona de casa engravidou novamente. Precisou decidir entre a maternidade e o serviço. Escolheu a primeira opção. “Não foi fácil. Não foi uma gravidez fácil. Tive depressão e descobri um problema sério na coluna”, conta.

Com a depressão, Hilda adquiriu fibromialgia. As dores e limitações da doença as impediu de voltar ao mercado de trabalho. “O Eriel me ajuda muito. Ele cuida de mim. É um grande filho dedicado e estudioso”.

A motivação

O desejo de Eriel de ingressar no Instituto Federal surgiu em uma visita a unidade em Cubatão. Ele, acompanhado de outros alunos da EMEF Lúcio Martins Rodrigues, na Vila Margarida, conheceram as dependências da escola cubatense. “Ele chegou em casa maravilhado dizendo que estudaria lá. Sabia que não era fácil entrar. Mas ele foi muito motivado pelos professores. Tenho muito a agradecer as professoras Eliana e Inês, e ao professor Ricardo”, lembra Hilda.

Eriel também se recorda desse dia. “Quando vi o tamanho daquela biblioteca fiquei emocionado. Eu chorei, tentei esconder do pessoal que estava chorando, mas eles viram. Foi ali que eu decidi que estudaria lá, que me esforçaria para entrar lá. Tenho só agradecer a todos os professores que me ajudaram e que acreditaram em mim”, conta.

O estudante passou então a frequentar as aulas intensivas de reforço ofertadas pelos professores no contra turno escolar. Para passar na seleção do Instituto Federal bastava garantir boas notas. “Ele não me falou que tinha feito a inscrição. Quando vi, ele já tinha passado. Terminei de fazer a matrícula dele não acreditei. Meu filho vai estudar em uma escola muito boa, vai ter contato com um mundo diferente. Estou feliz demais. Ele disse que quer ser engenheiro e que vai colocar uma cópia do diploma lá na parede do Lúcio, a escola do México 70, onde acreditaram nele”.

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Da ‘boca do lixo’ aos programas da terceira idade

A Rua General Câmara foi o lugar onde Renata deu início à vida de prostituta aos vinte e poucos anos de idade. Os bares e boates da área conhecida como boca do lixo ainda ferviam. Uma louca paixão a fez ficar de vez no imóvel de número 284, um dos locais mais procurados daquela região. Ganhou e perdeu muito dinheiro. Quarenta anos depois, com mais de 60 e saúde comprometida, ainda segue nas vias do Centro de Santos fazendo programas para sobreviver.

“Era do interior e vim para Santos passar as férias. Conheci um homem lindo, parecia artista de novela, e nunca mais voltei. Ele me bancou por seis meses, mas descobri que era casado. Ele mudou muito e disse que ia me largar. Só ficaria comigo se me cafetinasse – ele já cafetinava a esposa. Só pensava em dinheiro. Ficamos amigas depois. Ele amava mais a mulher dele que eu. Eu não tinha como voltar para o interior, não tinha onde morar. Fiquei e comecei ‘na vida’. Chorava muito. Tinha homem que ficava comigo, mas, com pena, não fazia nada. Só pagava”, lembrou Renata.

Conversei com Renata, que é muito vaidosa e gosta de perfumes, em uma via movimentada do Centro de Santos, onde quase todos os dias ela fica ao lado de outras mulheres da mesma faixa etária esperando programas. É simpática e conhecida no lugar. A boca está coberta por um batom pink já desbotado. Os olhos marcados fortemente por maquiagem em tons frios. Carrega uma bolsa com seus pertences, entre eles um pênis de silicone envolto numa sacola plástica. “Tem cliente que pede”, disse ao mostrar o objeto.

Renata é órfã de pai e mãe. Não gosta de falar muito da infância. Cresceu em um colégio interno no interior de São Paulo.  “Minha mãe foi embora deixando eu e meus irmãos. Largou a gente com meu pai que precisava trabalhar e nos colocou no orfanato. Apanhei muito de vara lá”.

Zona - Renata - garota de programa no centro de Santos - cred Rodrigo Montaldi DL (3)

Foto: Rodrigo Montaldi/Diário do Litoral

Antes de conhecer as ruas, Renata trabalhou em um hospital como auxiliar de serviços gerais. “Já trabalhei em creche também. Não sabia que podia ganhar dinheiro fazendo sexo. Diziam que mulher que perdesse a virgindade ia para o inferno. Eu tinha medo. Então até os 20 anos eu era virgem”, contou.

É da época em que viveu na casa da Rua General Câmara, onde o amante a cafetinou e a levou para o mundo da prostituição, que Renata lembra mais. “A boate tinha escadaria e o bar era lá em cima no fundo. Tinha luz neon e a gente ficava de biquíni branco. Naquele tempo não tinha Aids. O que eu ganhava em 15 dias dava para pagar três meses de aluguel. Eu morava em um apartamento em frente ao mar. Era linda e andava no salto. Bebi, gastei e curti a vida”. Ela disse que chegou a fazer 30 programas numa noite de sábado. “Quinze minutos para cada um. O programa custava cinco cruzeiros. Era muito dinheiro”.

Nas ruas, Renata não ganhou apenas dinheiro. Conviveu com a violência e as drogas. “A rua é ‘olho por olho dente por dente’. É ‘cada um por si e Deus para todos’. Não uso mais drogas. Parei sozinha. Tinha cliente que pedia para usar e pagava mais. Maconha era de pobre e poeira (cocaína) de rico. Naquele tempo não tinha crack não. Crack tem agora. Uma perdição. Os homens também mudaram. Antes queriam só uma chupetinha, hoje querem tudo. Dia desses um falou que puta tem que fazer tudo, porque periquita ele tem em casa”.

A oportunidade de sair da prostituição chegou para Renata por meio de homens apaixonados com promessas de uma nova vida. “Muitas colegas saíram da vida e casaram. Eu queria a curtição. Não gostava deles. Teve um cara muito rico de Goiânia que queria me levar embora, mas não era justo ficar com ele sem gostar. Meu erro foi sempre gostar dos errados. Se apaixonarsó por quem não presta”, disse.

O afeto que Renata não teve na infância deixou marcas. Ela não gosta de beijo e chora quando fala da família. “Beijo, para mim, a gente só dá em que se gosta. Não beijo não. Beijei poucos. A minha irmã me achou, mas tem vergonha de mim. Até quis me levar embora, mas não para a casa dela. Não vou”, disse em meio às lágrimas que caiam timidamente dos seus olhos.

Mais de três décadas depois, Renata não tem o mesmo corpo e vigor de outrora. Sofre com problemas vasculares. Mesmo com a saúde comprometida, deixar as ruas significa passar necessidade e viver na sarjeta. Hoje faz em média quatro programas a R$ 50,00 cada – o que lhe rende o suficiente para pagar R$ 400,00 no aluguel de um quarto onde vive com um gato que se chama Luiz. A ajuda vem de uma cesta básica que recebe de uma igreja católica.

“Devo me aposentar por invalidez e vou parar. Quero muito parar. Não dá mais. O problema é que ganhei muito dinheiro, mas não paguei o INSS. Estou vendo com uma assistente social para me aposentar. Tenho muita fé em Deus vou conseguir. Não quero riqueza, não quero luxo. Só queria um quarto e cozinha com um quintalzinho para criar o meu bichinho”, finalizou.

 

As voltas que a vida dá

A história de amor que escrevo veio dos Estados Unidos. O casal seria os personagens perfeitos de uma novela com roteiro mexicano escrita por Glória Perez. Os imigrantes latino-americanos que foram em busca de uma nova vida e se apaixonaram. A brasileira que saiu de seu país para juntar dinheiro e resgatar a guarda dos dois filhos. O venezuelano que virou empresário na terra do Tio Sam.

Não foi fácil para ela a decisão de sair do Brasil. O casamento, que aos olhos de todos parecia perfeito, já havia terminado. Segurou até onde pode as aparências. Saiu de casa e deixou os dois filhos com o pai, que possibilitaria maior conforto a eles. A ideia era se reerguer e então reassumir a guarda das crianças. No entanto, após muitos anos distante do mercado de trabalho conseguir emprego não foi fácil. A renda dos bicos era suficiente para pagar um quarto pequeno onde guardava suas coisas.

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A oportunidade de conseguir juntar uma grana veio do convite feito por uma prima para trabalhar nos Estados Unidos. As economias que tinha foram suficientes para comprar as passagens de ida. Mas não foi tão fácil assim recomeçar. Os planos não correram como combinado. Teve que lidar com a saudade dos filhos, o julgamento das pessoas no Brasil e as incertezas de um lugar desconhecido. Botar a cara no trabalho foi o refúgio. Uma nova mulher nascia ali, mais forte e decidida. Mesmo com o coração machucado sabia que feito o que considerava melhor para si e para os seus. Não havia como retroceder.

Foi então que conheceu ele, o venezuelano que traria alento ao seu coração. Não esperava ela que a paixão fosse lhe pegar assim de repente e tão rápido. Foi ele que a ajudou a ser forte quando pensou em desistir. Conheceu ao seu lado os cenários que até então só havia visto nos filmes. Ela fala português. Ele espanhol. O namoro virou casamento. A paixão virou amor – um amor diferente daquele que achava conhecer até então. Ela cuida dele e ele cuida dela.

Agora ela quer cumprir a promessa que fez quando deixou o Brasil: reconquistar a guarda e a confiança dos filhos. Recolher as pedras que lhe atiraram em forma de julgamento. Mostrar que o amor abre mão, arrisca e é complexo. Se vai conseguir ainda não sabe, mas conta com a mesma fé que um dia a fez deixar para trás aqueles que mais amava.